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A Fisioterapia cresce em Portugal

16 Novembro, 2017

Emanuel Vital partilha a visão da Direção da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APFISIO) sobre o crescimento da Fisioterapia.

Portugal, no último meio século, viu nascer e crescer uma profissão que agora é a terceira maior na área da prestação de cuidados de saúde e é a profissão mais representativa na área da Reabilitação: a Fisioterapia. De poucas dezenas de fisioterapeutas na década de sessenta do século passado, a poucas centenas no final dos anos 70 e durante os anos 80, Emanuel Vital, presidente do Conselho Diretivo Nacional (CDN) da APFISIO explica-nos como a profissão cresceu exponencialmente nos últimos dez anos, passando de pouco mais de 2000 profissionais no início deste século para os atuais 11.008 fisioterapeutas.

Mas antes de entrar nos detalhes do crescimento, Emanuel Vital faz notar que ser a terceira maior profissão da saúde não é uma realidade apenas nacional, o mesmo se passa também no quadro internacional. É esta dimensão e valor social a nível mundial que leva a estrutura representativa dos fisioterapeutas – a Confederação Mundial da Fisioterapia -, a integrar a Aliança Mundial das Profissões da Saúde, uma estrutura que congrega as representantes mundiais da Medicina, Enfermagem, Medicina Dentária e Farmácia, e que, no seu conjunto, representam mais de 26 milhões de profissionais de saúde de mais de 130 países.

Fisioterapia é uma profissão atraente?

Emanuel Vital acredita que sim, e suporta esta convicção nos dados que atestam o crescimento dos seus efetivos. De fato, crescemos em Portugal cerca de 500% nos últimos dez anos e, se olharmos apenas para o período de 2010 a 2017, verificamos que, então, éramos pouco mais de 3500 e agora já ultrapassámos os 11 mil fisioterapeutas segundo os dados da ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde).

De passagem, e para aligeirar a conversa, lembra que num estudo publicado pela Forbes em 2015, sobre as profissões que traziam mais felicidade, a Fisioterapia surgia em terceiro lugar.

O que tem então esta profissão de especial para, todos os anos, em Portugal, atrair milhares de candidatos?

Sentir que com a nossa intervenção se pode transformar a vida de uma pessoa é algo muito especial; o toque terapêutico, o gesto que alivia a dor ou que guia o movimento são recursos que permitem o fisioterapeuta realizar-se como profissional e como ser humano. A possibilidade de ser um profissional de primeiro contato, podendo intervir de imediato para melhorar a funcionalidade é algo que é valorizado pelo fisioterapeuta. Ser consultado para diagnosticar uma disfunção e propor o melhor encaminhamento para a pessoa que o procura, seja intervindo de imediato, seja referenciando para outro profissional, tudo isso comporta uma ideia de autonomia e de responsabilização sobre a saúde de uma pessoa. A confiança que se cria e se fortalece nos contatos com os utentes, ou o reconhecimento das suas diversas competências, provavelmente tudo isso contribui para a realização profissional e pode explicar porque esta profissão é tão procurada.

E faz notar ainda que a Fisioterapia é uma profissão de desafios. O conhecimento e a tecnologia estão em constante evolução o que torna esta profissão tudo menos monótona.

O reconhecimento social e a possibilidade de progressão nos vários graus académicos na área científica da Fisioterapia (licenciatura, mestrado, doutoramento), são ainda fatores que acrescentam valor à profissão e que pesam no momento da escolha.

Fisioterapia em Portugal

Mas como se deu este “boom”? E o país consegue acomodar este número crescente de fisioterapeutas?

Este crescimento deve-se, em larga medida, ao número de Escolas de Fisioterapia. Atualmente são cerca de 18 Escolas a formar cerca de 600-700 fisioterapeutas por ano. Neste momento 85% dos fisioterapeutas exercem a sua atividade fora do setor do Estado, ou seja, fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS), em diversos modelos de prestação de serviços, assumindo cada vez maior relevância, a atividade privada por conta própria.

Então o SNS tem pouca expressão no universo da Fisioterapia em Portugal?

Na ótica do presidente da APFISIO, tem-se verificado no SNS, um “distanciamento cada vez maior de Portugal nesta área em relação aos outros países”. Na base deste ponto de vista está o facto de “nos encontrarmos praticamente com o mesmo número de fisioterapeutas a exercer funções no SNS que tínhamos há 25 anos”, fazendo com que o nosso país apresente um dos piores rácios europeus no que concerne à quantidade de fisioterapeutas (em SNS) por habitante. Estes são dados que, segundo Emanuel Vital, se explicam “pela dificuldade que as políticas de saúde demonstraram em investir nesta área”, embora o porta-voz realce que “apesar de ainda não termos visto consequências dessa vontade, o novo ciclo político tem permitido a nossa presença em grupos de trabalho em colaboração com estruturas governamentais no pensamento de um novo modelo para o SNS”. E aponta caminhos para o desenvolvimento: uma reorganização dos cuidados de fisioterapia nos serviços hospitalares e um reforço de efetivos nos Cuidados de Saúde Primários poderiam contribuir para um melhor desempenho do SNS nesta área.

Há uma visão para o Futuro?

Emanuel Vital refere, a este propósito, que o futuro constrói-se hoje. E logo acrescenta que é notório, nos fisioterapeutas, uma grande atenção na formação contínua e um investimento cada vez maior na investigação científica. São cada vez mais os fisioterapeutas que investigam, que produzem conhecimento e que o divulgam nas principais revistas científicas. Este ano, particularmente, tem sido um ano de grande mobilização no mundo da fisioterapia. A APFISIO vai reunir, de 10 a 12 de novembro, em Aveiro, o maior número de participantes no seu 10º Congresso Nacional de Fisioterapeutas. Esta dinâmica foi já iniciada desde o início deste ano com a realização de três jornadas pré-Congresso que juntou investigadores e clínicos para apresentarem e discutirem as boas práticas da profissão e a inovação.

Uma profissão constrói-se e projeta-se no futuro, não apenas com a qualidade e valor de cada profissional, mas especialmente pelo valor acrescentado e pela representatividade social das suas estruturas profissionais. A APFISIO tem assumido desde sempre esta responsabilidade, mas temos, desde 2016, uma nova equipa dirigente que trouxe outra alma, outra energia, outra vitalidade a esta estrutura. Foram implementadas um conjunto de iniciativas para renovar e dinamizar a Associação Portuguesa de Fisioterapeutas. Um novo visual, um novo logotipo, uma nova página de internet, um posicionamento nas redes sociais mais dinâmico e com mais conteúdos, uma ligação mais próxima às Escolas e aos profissionais, são as dinâmicas da nova equipa dirigente que tem contado com o apoio dos seus Grupos de Interesse e Especialidade, dos seus Grupos de Trabalho e de muitos colaboradores. Com um programa de ação que se desenvolve em três eixos, 1) o desenvolvimento da profissão através da sua autorregulação, e do aprofundamento da articulação ensino-investigação–prática profissional; 2) desenvolvimento interno, dirigido à estrutura da APFISIO e 3) desenvolvimento externo, fomentando a articulação com as forças vivas da sociedade, a equipa liderada por Emanuel Vital quer projetar a Fisioterapia para o futuro, ao mesmo tempo que consolida a maturidade desta associação que, em 12 de novembro faz 57 anos!

Entrevista em Perspectivas.

Conselho Directivo Nacional da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas.

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